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Durante minha formação enquanto agrônoma passei por inúmeras transformações e aprendizados. Fui aprendendo sobre agricultura, sociedade, natureza, religiosidade, filosofia, economia, política, psicologia, diversos temas que se encontram na vida prática dos agricultores e agricultoras do Brasil. 

Resolvi abrir uma empresa de consultoria em agricultura sintrópica para compartilhar um pouco dessas experiências pessoais e profissionais com todos que se interessassem. Nós sabemos que agricultor não vive de poesia, vive de lucro provindo da produção de alimentos. Por isso, com razão, são questionadores e só acreditam quando testam em suas roças e a nova tecnologia dá certo, pois respeitam muito sua profissão, sua missão de alimentar o mundo e de cuidar da natureza.

 Naturalmente, o processo de sensibilização é um processo moroso, pois é coletivo, é altamente dependente da pedagogia do exemplo, a qual tem seu padroeiro São Tomé: “só acredito vendo”. Temos um fator complicador, que são os óculos que todos utilizamos para ver, que há muito tempo é feito por uma ótica convencional que promove sempre a leitura de uma só realidade: a agricultura de insumos como única forma de alimentar o mundo. 

Para passar a olhar para uma agricultura de processos em sua complexidade e completude, enxergando sua alta produtividade, sua tecnologia de precisão, sua regeneração de sociedade e natureza, como uma agricultura possível e urgente, é necessário que encomendemos novos óculos de leitura. Precisamos ler esta nova linguagem, para compreender seus sinais e aprender novamente a tomar decisões de manejo. É uma mudança de paradigma, de cultura, por isso, é morosa, demorada, começa por pequenas áreas experimentais, iniciadas pelas pessoas visionárias e pioneiras de suas regiões. Se compararmos à velocidade e escala do desmatamento, e degradação de recursos naturais causado pelas diversas atividades econômicas da forma como são feitas hoje, é um cenário desafiador. 

Essa morosidade gera inquietações nos corações que trazem o senso de urgência, como é meu caso. Por isso, criamos a cooperativa Plante Chuva, para inspirarmos a região através da pedagogia do exemplo. O diferencial será expandir de maneira pujante, mas como rastro deixar a regeneração social, ambiental e econômica, característica comum aos negócios sociais (setor 2.5). 

Durante minha jornada percebi que há uma polarização entre lucro e propósito: onde há um trabalho de caráter mais humanitário, ambientalista, não pode haver lucro, senão mancha o propósito do trabalho; onde há lucro, de preferência o maior possível, não se olha para nada que aparentemente diminua sua margem. Porém, entre esses dois extremos, existe um universo de problemas estruturais da modernidade que podem ser resolvidos através de negócios rentáveis. São os chamados negócios sociais, onde lucro e propósito coexistem. 

Negócio social (social business) é a junção das melhores práticas do segundo e do terceiro setor, por isso, é conhecido como como setor 2.5. No coração do seu modelo de negócio está a solução de um ou mais problemas reais da sociedade moderna, que é ofertada em forma de serviço, produto ou a junção de ambos. 

Na cooperativa Plante Chuva, vamos oferecer serviços de regeneração climática e ambiental para a região que ela estará inserida; e comercializaremos alimentos saborosos e acessíveis colhidos em nossas lavouras sintrópicas. Traremos um conjunto de benefícios e soluções para os cidadãos brasileiros e para a economia: chuva para os arredores, comida acessível para consumidores, renda para agricultores familiares, lucro para investidores, desenvolvimento territorial sustentável para a região, regeneração da natureza, esperança coletiva de construir o novo normal. Nós atingiremos todos os 17 ODS no mesmo negócio, com a mesma intensidade. Como faremos isso? Continue acompanhando nossas redes para descobrir!

Mariana Telles Rocha
Mariana Telles Rocha
CEO at @caninana.agr Cofounder at @plantechuva
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