Agrofloresta e agricultura sintrópica são a mesma coisa?

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Agrofloresta e agricultura sintrópica são a mesma coisa? Essa foi uma pergunta que foi feita no Congresso de Brasileiro de Agroecologia para o @agendagotsch. Dependendo de qual agrofloresta estamos falando, sim, são a mesma coisa. 

Se estamos falando de um consórcio de café com seringueira estático, que não tem podas constantes para manter alta produtividade do café, que são a pulsão do sistema para resfriamento e umedecimento microclimático, se não tem capim altamente produtivo e roçado, que serve para proteger o sistema contra ervas espontâneas e funcionar como uma irrigação para o café, não, não são a mesma coisa. Se estamos falando de monoculturas organizadas lado a lado em faixas, consorciando renques de eucalipto ou mogno, com soja ou capim, e boi rodando no pasto, como se faz na integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), também não são a mesma coisa. 

Mas, se estamos falando de consórcios estratificados, ou seja, com a presença de espécies de plantas de estratos emergente, alto, médio e baixo, todas consorciadas na mesma área produtiva de maneira inteligente e mecanizável, que facilite o manejo; espécies escolhidas de forma que produzam em seus diferentes tempos, onde uma planta mais precoce ajude a melhorar o sistema agrícola para uma planta mais tardia, ou seja, consórcios sucessionais; onde pensamos nas funções de cada espécie de plantas e animais (incluindo a nossa função), para considerar a biodiversidade como um ativo de manejo inteligente já pronto na natureza, desenvolvido e melhorado durante milhões de anos de evolução: sim, agroflorestal agroecológica, ou agrofloresta sucessional multiestrata biodiversa são a mesma coisa que agricultura sintrópica. 

Porém, para facilitar a diferenciação e o posicionamento do conjunto de princípios, práticas, manejos desse tipo de agricultura, foi convencionado o termo agricultura sintrópica pelo Ernst Gotsch. Ele não inventou a agrofloresta, ele bebeu da fonte de povos ameríndios, quilombolas, campesinos, povos tradicionais que a praticam há gerações, misturou com uma série de conhecimentos modernos e ancestrais como física, mitologia grega, filosofias orientais, e vem praticando essa agricultura em sua fazenda há 30 anos, através de muita tentativa, erro, acerto, observação atenta e intuitiva. Ele não inventou a agrofloresta, mas a ressignificou, enriquecendo com outros olhares, a integrando à tecnologia, testando em vários países do mundo, em larga ou pequena escala. Um conjunto de agricultores e técnicos vem aplicando e difundindo os princípios, em regiões áridas ou úmidas, e traduzindo para a sociedade moderna como a agricultura sintrópica é uma peça fundamental no combate às mudanças climáticas. 

Saiba mais:

Sistemas Agroflorestais dirigidos pela sucessão natural: um estudo de caso da MCs Fabiana Mongeli Peneireiro.

Restauração Ecológica com Sistemas Agroflorestais: como conciliar conservação com produção. Opções para Cerrado e Caatinga do Dr Andrew Miccolis.

Agricultura sintrópica: produzindo alimentos na floresta, das raízes do aipim ao dossel das castanheiras do MSc Josué Vicente Gregio

A Agricultura Sintrópica de Ernst Götsch: história, fundamentos e seu nicho no universo da Agricultura do MSc Felipe dos Santos Pasini.

Agricultura, Meio Ambiente e Sociedade – um estudo sobre a adotabilidade da agricultura sintrópica da Dra Dayana Velozo Pastor Andrade

Intersecção termodinâmica-ecologia e discussão das bases científicas da agricultura sintrópica. de André Vinicius Freire Baleeiro.

Mariana Telles Rocha
Mariana Telles Rocha
CEO at @caninana.agr Cofounder at @plantechuva
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